Stef-any
mandou Edward providenciar os reparos no navio enquanto ela levaria Shaay para
dar uma volta pelo porto e se familiarizar com a atmosfera do local. Shaay
estranhou o pedido de Stef-any para que ela não usasse seu uniforme da marinha,
mas não teve opção se não aceitar e pegar algumas roupas emprestadas de Amy-lee
que ficaria no navio para vigia-lo.
Shaay
parecia fascinada com a sujeira e bagunça daquele lugar, como se fosse algo
único no mundo, de toda forma Stef-any não entendia o motivo daquele sorriso no
rosto dela. A primeira parada foi em uma barraca de roupas onde Shaay poderia
comprar roupas normais para si mesma e não ter mais de pegar as roupas de
Amy-lee. Enquanto Shaay provava algumas trouxas de roupa um senhor de idade se
aproximou de Stef-any, ele carregava uma bolsa cheia de papeis e uma charrete
com caixas e pacotes, ele pegou uma caixa na charrete e se virou para Stef-any
dizendo:
-Ahn,
“capitão Nero”, tenho uma entrega para o “senhor”, do país da terra.
-É o que
mermão? do país da terra?!
Responde
Stef-any estranhando o sarcasmo na voz daquele carteiro estranho, ela pega o
pacote e reconhece a letra de Damon, depois se vira para o carteiro e lhe
entrega algumas moedas para que ele fosse embora logo antes de revelar seu
disfarce.
Shaay agora
estava satisfeita com nada mais do que seis novas peças de roupas, por sorte
não era o dinheiro de Stef-any que estava sendo gasto; Stef-any guardou o
pacote debaixo do braço e se ofereceu para ajudar Shaay com uma das sacolas.
Depois de
mais alguma voltas pela cidade elas voltaram para o navio, Amy-lee foi ajudar
Shaay a acomodar suas compras no quarto enquanto Stef-any entrou em sua cabine
para abrir o pacote. Era uma caixa e papelão coberta de fita adesiva e uma
carta onde Damon dizia:
“Querida
Stef-any, já faz tanto tempo que não a vejo que já começo a me esquecer como você
se parece. A vida na vila está aos poucos voltando ao normal e de alguma forma
está até melhorando, a polícia está mais tolerante e presente, até as estradas estão
mais seguras. Estranhamente, agora parece ter uma seita dos Power Rangers por
aqui, enfrentamos eles uma vez, mas depois disso nunca mais os vimos. Ficamos
com tão poucos membros que quase não saímos dos esconderijos, tão pouco são
nossas oportunidades de atacar o governo. Seth continua em coma e fazemos o
possível para mantê-lo com vida, na verdade isso é quase a única coisa que
temos feito.
Enfim,
espero que seu treinamento esteja indo bem e aguardo ansiosamente seu retorno
para salvar esta cidade, com amor Damon.”
Stef-any
guardou a carta no bolso e abriu a caixa e tirou uma máscara usada pelos
espíritos, uma bem feia dessa vez, toda amarela com riscos azuis e três chifres.
Ela sai de
sua cabine a vai até a amurada do navio e fica ali observando o mar, pensando
na sua terra natal e em Damon, perdendo completamente a noção do tempo. Seus
pensamentos são enfim interrompidos por Edward que chega ao lado dela e diz:
-Com licença
capitão, receio que se continuar aqui bisando feita uma lontra-tartaruga vai
acabar se atrasando para a reunião.
-Ah, Edward
obrigado por me lembrar da reunião, me distrai pensando em como estão as coisas
em casa.
-Sua casa é
longe do mar? Por que se não for, poderíamos ir lá a qualquer momento.
-Não, é bem
longe, perto das grandes montanhas do país da terra.
-Nesse caso,
só tem uma jeito de combater essa saudade; assumir que o mar e esse navio são a
sua nova casa, acredite em mim, é a melhor escolha.
Diz Edward
se espreguiçando, Stef-any olha para ele absorvendo o que ele tinha dito,
depois pega a carta em seu bolso e usa a dominação de fogo para incinera-la.


